18.2.19

a casa às escuras

A semana divide-se em dois, nestes últimos. Um arco de andantino-addagio-allegro à quarta e outro oscilando em vários ma-non-troppo e terminando num domingo sem andamento.
A casa às escuras ontem porque faltou
a luz
e estranhamente me acalmou o abrir as portadas e andar pela casa a receber o céu alaranjado
de duas da manhã.
Consciência plena como uma lua: sim, houve tumultos neste ciclo-vinte-e-quatro-aos-trinta; sim, deu-se o que se chama sofrer; sim, força também; sim, soube viver apesar, e bem, colhendo alegria e sabendo-me ; mas sim, não arrumei bem a casa, e sim, só agora vejo a simultaneidade de tudo a que cheguei, e têm que mo mostrar: os livros espalhados e os pratos sujos, a minha própria beleza e ânimo (animula vagula blandula) em passinhos de pontas e conchinha, depois das performances esforçadas do circo de meio de semana, das vãs investidas mascaradas de sábado, e pego nas mãos a taça de solidão que como às colheradas aqui nesta noite. Consciência embaladora esta, que estranho. Uma mão terna seria perfeita aqui, um testemunho calado a ajudar, a esperar que voltasse a luz.