7.2.19

O que ele não sabia é que ela havia
sonhado
com uma cavalgada
daquelas que inundam o próprio espaço
entranho
violenta, seca, inevitável
muito antes de o ter conhecido
era ele, o seu rosto de sobrancelha
destacada da pele
e mares em frente, miras
sobre a boca rosa
ele estava atrás
por trás
ela de pulsos sobre o térreo ângulo
ou de cotovelos dando tracção às
ancas, já não sei
ele de joelhos sem rezar só ceifando o
próprio ouro projectado
caminho recto sobre o ritmo
dela

e isto antes de o conhecer
juro que é verdade

seguiu-se um
coup de foudre
très propre, sem misturas
espanto
e uma história a ler
nas legendas das imagens
estrábicas da dispersão
e desatenção
ao respirar
que é a lava dos dias que se
agarram
como bacias do corpo humano
vertendo realidade,
presença, palavras, colos,
combates, filmes, um traço,
o próprio ar cruzando tangentes
que por mea culpa
se desvaneceram