1.3.19

inconsciente

Sonhei contigo
o cenário era de festa mediavelesca pelas ruas de uma cidade
portuguesa inventada, tipo
são joão ou queima das fitas ou fim
do ano, mas estranhamente a um de março
todos os que conheço entraram no sonho
e entraram de dentaduras
escancaradas e tropeções na multidão,
carros bêbados e portas da rua com
escárnio de serem verticais, tudo
está um bocadinho torto, digo a certo ponto, como
se as coordenadas sofressem um lapso quase
imperceptível
e entretanto entrámos numa casa de banho cheia de inscrições
de eternidades e outros aforismos,
os azulejos decadentes em cadência de me esfregar, rodopiavam
e ali mesmo
amor-ódio entre semelhantes diferentes
com uma luz avermelhada e descontinuada
sobre nós