Deixa-te de termos técnicos
disseram-me no
meio do fumo e do granito
que fome vou matar hoje,
vou pedir uma tosta com o vinho da
casa
sim, sim
nós não comemos porque o cinto está
a apertar
um lábio tinto, isso hoje não temos
mas é o país que mais consome,
sabias
oupas ficam os copos vazios
sem a marca do seu
beber
como se chama o zoom quando estamos a falar
do som
veio ao caso a propósito de um crepitar de
muito perto da ponta incandescente
de um cigarro
chega o rei e a rainha, sentam-se
à mesa que é comprida e de madeira
tosca a fazer de cave
parabéns pelo que fizeram
é assim assim e assado
banal e artesanal
existencial e polímata
e na conversa ao lado falam
da ingrata desorganização de
uma colega de trabalho
a minha tosta derrete enquanto me
chega da direita uma história de amor
na índia e na itália
daquelas que se adiam e enfim
se dão
ooooh dizemos em uníssono
num automatismo sentido
e de cabeça chegando ao
ombro
depois tenho que falar contigo
chega-me em frase uma bola
cruzada que agarro largando
os utensílios que
me sustinham o convívio
está bem, fala
escusas de fazer um drama
para me pedir um número e
um desconto
não desafies, amigo
fica-te mal a cunha a
querer meter-se
por entre os cotovelos desta mesa
acaba tudo na esticadíssima despedida
dos dias todos e
rodopia enfim o vinho
é segredo, mas gravo um áudio a subir os degraus de minha casa
que envio a um desconhecido
pois é
íntima soleira,
estranho mundo