Estão-me a lavar os vidros
com aquelas escovas redondas
e o tecido turco
de uma escala que nos faz formigas
chove muito e como o meu pé direito
é de quatro metros, não chego
aproveito
encharco as palas dos olhos
(ainda posso dizer olhos?
sempre a mesma coisa
o mesmo recurso
sempre os mesmos
dois
com uma manchinha acastanhada no esquerdo
miopia partout
olhos querendo ser mãos
mãos querendo ser
mais)
escorro e observo de um microscópico
pescoço curvado
a concentração da água nas baías
que do cansaço são
bacias
raios de sol, chamo às pregas
ilustres
que saem da sua moleza franca
hoje guardam uma pitada de sal para pôr
na sopa de amanhã
e já vou no terceiro duche do serão
para que tudo faça pandã
o mapa não é o território
ilustres notaram
inúmeras variações me tentam
o território não é o mapa
sem mapa não há território
o mapa é o território
eu sou um mapa
será que sou um território
que mapa estão os meus pés
terna canção sentada
e errante
meus pés
entranhas querendo ser pés