5.4.19

pain perdu



Tão forte
tão
consciente dos gestos de
uma mão comendo a outra
que me fizeram para
ilustrar a minha
podre tendência de gostar
em rosca
tão racional, tão querendo esquecer que
perdoo e
creio na transformação possível mas na verdade
sou sempre eu que me
moldo e isso é com massa
redutível,
tão querendo ter dito que foi
inadmissível
o descarte
a que me deixaste
mas não disse
eu que te dei palavras, paroles
colo, colinho
e ousei mostrar-me,
estender a mão e abrir este círculo que é
pequeno, pois claro
correu mal
nem um terço viste e já
te chegou,
eu que te afaguei a dúvida e te ouvi promessas
de poder contar,
de ser um belo encontro,
de um livro de edição bonita, de não perder
isto, de haver um
isto
eis que com os teus olhos de
sei lá o quê, matéria absurdamente sensível que me
parecia, agora
não
pétreos fugiram e
porra, dizes,
e eu não digo quase nada, até porque
queres que me cale
e logo agora,
que subo só
uma escada alta, funda, e
tu sabias,
sabes, isto
não é nada, é
incompreensível
tão forte que
me quero em
indiferença
e raiva de ter caído na armadilha
e pois que
choro
ouvindo
la javanaise, já o meu
pai achava esta uma das mais belas
cantada pelo gainsbourg
eu choro com a grèco
vestida de preto
je pleure,
j'avoue
e aprende francês para que saibas o que
quer dizer
c'est toi qui a tort